Livraria Cultura

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Minha paixão, meu fascínio, meu encanto .... o balé!!



A bailarina



Cecília Meireles



Esta menina

tão pequenina

quer ser bailarina.



Não conhece nem dó nem ré

mas sabe ficar na ponta do pé.



Não conhece nem mi nem fá

Mas inclina o corpo para cá e para lá.



Não conhece nem lá nem si,

mas fecha os olhos e sorri.



Roda, roda, roda, com os bracinhos no ar

e não fica tonta nem sai do lugar.



Põe no cabelo uma estrela e um véu

e diz que caiu do céu.



Esta menina

tão pequenina

quer ser bailarina.



Mas depois esquece todas as danças,

e também quer dormir como as outras crianças.





Cecília Benevides de Carvalho Meireles (RJ 1901 – RJ 1964) poeta brasileira, professora e jornalista brasileira.

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Clarice Lispector

Renda-se, como eu me rendi. Mergulhe no que você não conhece como eu mergulhei. Não se preocupe em entender, viver ultrapassa qualquer entendimento.


quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Para homenagear a Primavera....

Tim Maia
cantando Primavera

Composição: Cassiano / Sílvio Rochael

Quando o inverno chegar
Eu quero estar junto a ti
Pode o outono voltar
Eu quero estar junto a ti
Porque (é primavera)
Te amo (é primavera)
Te amo meu amor

Trago esta rosa (para te dar)
Trago esta rosa (para te dar)
Trago esta rosa (para te dar)
Meu amor...
Hoje o céu está tão lindo (sai chuva)
Hoje o céu está tão lindo (meu amor)

Primavera....que alegria!!!



Primavera

Cecília Meireles


A primavera chegará, mesmo que ninguém mais saiba seu nome, nem acredite no calendário, nem possua jardim para recebê-la. A inclinação do sol vai marcando outras sombras; e os habitantes da mata, essas criaturas naturais que ainda circulam pelo ar e pelo chão, começam a preparar sua vida para a primavera que chega.

Finos clarins que não ouvimos devem soar por dentro da terra, nesse mundo confidencial das raízes, — e arautos sutis acordarão as cores e os perfumes e a alegria de nascer, no espírito das flores.

Há bosques de rododendros que eram verdes e já estão todos cor-de-rosa, como os palácios de Jeipur. Vozes novas de passarinhos começam a ensaiar as árias tradicionais de sua nação. Pequenas borboletas brancas e amarelas apressam-se pelos ares, — e certamente conversam: mas tão baixinho que não se entende.

Oh! Primaveras distantes, depois do branco e deserto inverno, quando as amendoeiras inauguram suas flores, alegremente, e todos os olhos procuram pelo céu o primeiro raio de sol.

Esta é uma primavera diferente, com as matas intactas, as árvores cobertas de folhas, — e só os poetas, entre os humanos, sabem que uma Deusa chega, coroada de flores, com vestidos bordados de flores, com os braços carregados de flores, e vem dançar neste mundo cálido, de incessante luz.

Mas é certo que a primavera chega. É certo que a vida não se esquece, e a terra maternalmente se enfeita para as festas da sua perpetuação.

Algum dia, talvez, nada mais vai ser assim. Algum dia, talvez, os homens terão a primavera que desejarem, no momento que quiserem, independentes deste ritmo, desta ordem, deste movimento do céu. E os pássaros serão outros, com outros cantos e outros hábitos, — e os ouvidos que por acaso os ouvirem não terão nada mais com tudo aquilo que, outrora se entendeu e amou.

Enquanto há primavera, esta primavera natural, prestemos atenção ao sussurro dos passarinhos novos, que dão beijinhos para o ar azul. Escutemos estas vozes que andam nas árvores, caminhemos por estas estradas que ainda conservam seus sentimentos antigos: lentamente estão sendo tecidos os manacás roxos e brancos; e a eufórbia se vai tornando pulquérrima, em cada coroa vermelha que desdobra. Os casulos brancos das gardênias ainda estão sendo enrolados em redor do perfume. E flores agrestes acordam com suas roupas de chita multicor.

Tudo isto para brilhar um instante, apenas, para ser lançado ao vento, — por fidelidade à obscura semente, ao que vem, na rotação da eternidade. Saudemos a primavera, dona da vida — e efêmera.


Texto extraído do livro "Cecília Meireles - Obra em Prosa - Volume 1", Editora Nova Fronteira - Rio de Janeiro, 1998, pág. 366.
http://www.releituras.com/cmeireles_primavera.asp

terça-feira, 22 de setembro de 2009

Qualidade de Vida também é alegria

Como hoje é um dia mundial de conscientização para uma melhor qualidade de vida, nada melhor do que falar de Leila Navarro. Ela é autora de vários livros e uma das palestrantes motivacionais e comportamentais mais requisitadas do Brasil, ministrando palestras em todo o Brasil e na Europa. Entre no site, você vai revigorar o seu alto estima, sentindo a energia positiva e contagiante da Leila. E com certeza modificar alguma coisa na sua vida!! Vale a pena! www.leilanavarro.com.br