Livraria Cultura

sexta-feira, 28 de agosto de 2009



AQUÁRIO

Silente e impassível
o mar
navega sua beleza
em preguiçosas caudas
e barbatanas velozes,
ilumina-se em translúcidas medusas
e na cromática simetria das escamas.

Refrata a luz e a vida
no remanso submerso das águas,
em seus relicários de pérolas
e no balé itinerante dos cardumes.

Mar, ó mar…
escondeste teus íntimos mistérios
na pressão insuportável dos abismos
nessas paisagens indevassáveis da vida
onde transitam feições primordiais jamais iluminadas.

Abres, contudo, as pálpebras da aurora
e o sol emerge do teu ventre qual fornalha ardente
e na superfície das águas
ilumina tua face absoluta
nesta horizontal extensão do azul
nesta planície sulcada de quilhas e naufrágios
onde se agitam as caudas gigantescas das jubartes
e as asas serenas do albatroz.

Teus brancos litorais abraçam a Terra
desde sempre marejados pelo teu íntimo palpitar.
Tuas marés redesenham os cinturões de areia
e delimitam teu espaço inconquistável.
Os manguezais invadidos retratam teus domínios.
Contra teu furor levantam-se falésias
fiordes verticais e punhais de granito.
Edificas tua linha de recifes,
teus castelos de corais,
cultivas teus jardins de algas e sargaços
onde mandíbulas poderosas,
venenos e descargas fulminantes,
ditam teu código submerso.

Mar, ó mar
transparente beleza de flores e de frutos
território enigmático de vidas e silêncio
abismo onde flutuam os sobreviventes
sudário de todos os náufragos.

Mar azul
chamo-te água absoluta
porque absoluta é a tua sedução
a tua irresistível espuma
a mobilidade do teu ritmo
tua incessante sinfonia
teu eloqüente silêncio.

E contudo…
diante do etérico oceano…
diante dessas deslumbrantes ilhas estelares…
tu és apenas um úmido ponto no infinito
um aquoso respingo
minúsculo aquário
um minuto ondulante na eternidade
há bilhões de anos se espraiando
nessa gota salgada suspensa no universo.

MANOEL DE ANDRADE
Curitiba, março de 2004
Este poema consta do livro “Cantares”, editado por Escrituras

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

Para perfumar nosso dia e colorir a nossa vida...flores!!!


Cada flor um poema, cada poema um beijo....
Alegria e Paz!
Beijos para todos♥

27 de agosto - Dia Nacional do Psicólogo


Parabéns ao conhecedores da mente e alma humana. Cabe a eles estudarem os fenômenos da mente humana, para orientarem os indivíduos a enfrentarem as dificuldades emocionais. Direcionando ao encontro do equilíbrio entre a emoção e a razão. Parabéns...

JG de Araújo Jorge

Nasceu em 20 de maio de 1914, na Vila de Tarauacá, Estado do Acre. Foi conhecido como o Poeta do Povo e da Mocidade, pela sua mensagem social e política e por sua obra lírica, impregnada de romantismo moderno, mas às vezes, dramático. Foi um dos poetas mais lidos, e talvez por isto mesmo, o mais combatido do Brasil. Faleceu em 27de Janeiro de 1987.

Trecho de uma entrevista de JG de Araújo Jorge concedida a Carlos Camargo -Manchete, em Porto Alegre no ano de 1969:

CC- O que acha do amor?

JG- É a capacidade de "ser". O homem ama amplamente, e de modo multiforme. Sem amor não se " é ". Ama-se ao próximo como preconizava Cristo há quase dois mil anos: para se somar o mundo. Ama-se " a próxima ..." para a multiplicação...



CC- O que mais lhe agrada na vida?

JG- A vida. Nada há de mais extraordinário. Veja o que disse, neste final de soneto:

"Podes tudo pensar, tudo criares
em histórias e cantos singulares,
o que o sonho não pode, a alma não deve,

e ainda assim hás de ver que não és louco,
que tudo que pensaste é nada e é pouco,
ante o que a própria vida ensina e escreve!"

Ai segue uma de suas poesias. Lí todos os livros. Indico.

Vermelho e Branco

O sangue vermelho
do homem branco,
do homem prêto,
do homem amarelo,
o sangue é vermelho,
é um sangue só.

O leite branco
da mulher branca,
da mulher prêta,
da mulher amarela,
o leite é branco,
é um leite só.

Deus pôs por dentro de homens
e mulheres
de aparências tão diferentes,
uma humanidade só:
- o mesmo anseio, a mesma fome,
o mesmo sonho, o mesmo pó;
o mesmo sangue vermelho,
da côr da vida, da côr
do amor,
e mais:
o mesmo leite branco,
da côr da paz.

(Poema de JG de Araujo Jorge
do livro – Mensagem – 1966 )

http://www.jgaraujo.com.br

terça-feira, 25 de agosto de 2009

Não poderia deixar de homenagear outra jóia rara da terra do sol....Fagner!!!

Canteiros tem como base o poema Marcha de Cecília Meireles....lindíssimo.
Beijos...eu te amo Fagner.


Linda....um poema em canção♥